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Adelaide é uma mulher que tem uma mania estranha. Ela tem que falar o antônimo de algumas palavras que as outras pessoas utilizam para terminar uma frase. O pior é que ela tem que falar, nem que seja sussurrando pra si mesma, não vale em pensamento.
- Bom dia, eu preciso de umas cópias!
- Claro!
- Escuro! – ela falou sussurrando para si mesma.
- Desculpe, o que você disse?
- Éé... eu... eeessscuto! – gaguejou ela.
- Escuta o quê? – perguntou ele.
- Escutoooo... uma música! Você não ouve?
- Ah, deve ser o Rick, ele trabalha sempre ouvindo música! Mas você tem ouvidos sensíveis, hein?
- É, pois é! – falou ela meio sem-graça.
- Ok! Quantas cópias?
- 8
- Pois, não!
- Pois, sim! – sussurrou ela novamente.
- Como?
- Ããhn?
- Você falou: pois “ssssh”? – perguntou ele.
- Ahh... não, é que eu...eu ia pedir... ssscinco.... cinco cópias, mas lembrei que tem que ser oito mesmo! – ela já estava constrangida e começava a aparecer um certo rubor em suas bochechas.
- Ah ta, eu... vou... fazer as cópias! – ele saiu meio confuso e foi fazer as cópias.
Alguns segundos depois:
- Aqui estão!
- Quanto é? – perguntou ela tirando a carteira da bolsa.
- R$0,75!
- Aqui!
- Certinho!
- Erradinho! – sussurrou ela.
- Não, está certo!
- Ah, sim... – falou ela – ...errado – sussurrou logo em seguida e virou-se para sair.
- Até mais!
- Até... menos! – sussurrou mais uma vez.
No outro dia a mulher estava no mercado fazendo compras, quando o homem das cópias esbarrou nela:
- Opa! Desculpa! Foi sem querer!
- Ah, tudo bem!
- Escuta, você não foi ontem tirar cópias na papelaria em que trabalho?
- Ah, acho que fui, sim!
- Claro!
- Escuro – sussurrou ela olhando para o chão.
- Você está bem?
- Sim... – respondeu à ele - ...mal – sussurrou para si mesma ainda olhando para o chão.
- Tem certeza? Você parece meio mal.
- Bem! Estou bem.
- Certo! Você não gostaria de tomar um cafezinho? Ali na padaria tem um ótimo café!
- Seria uma boa idéia! – disse ela.
- Ótimo! – sorriu ele.
- Péssimo! – ela disse baixinho.
- Como?
- O quê?
- Você disse “péssimo”?
- Ótimo! Eu disse ótimo! – ela falou rapidamente.
- OK! Então, vamos?
- Sim!
Encontraram uma mesinha para dois vaga, bem ao lado do balcão.
- O que você faz da vida?
- Eu sou estudante – respondeu ela.
- Estuda o quê?
- Psicologia!
- Que legal! – exclamou ele.
- É... chato – sussurrou ela.
- Como? Chá?
- Chá o quê?- Você não disse “chá”? Você quer chá? – indagou ele.
- Não! Deve ter sido um... um suspiro, sabe? “Aahhh” – ela tentou contornar mostrando como poderia ter sido o suspiro.
- Ahm... – Ele acenou com um sorriso.
- Qual o seu nome?
- Cleiton! E o seu?
- Adelaide
- Seu nome é bonito!
- Obrigada!... feio – sussurrou ela.
- Ahn? Veio? – ele não tinha entendido.
- Veio? O quê?
- Você disse “veio”, não disse?
- Ah, eu disse...
- O que que veio? – perguntou ele.
- Ah... uma... mensagem de celular. É, vibrou, sabe? Isso aqui! – ela pegou o celular que estava na bolsa e mostrou pra ele, quase enfiando na cara do coitado, como se ele fosse um caipira do mato que nunca tinha visto um celular antes. Ela se sentiu completamente idiota por ter feito isso.
- Ahm, tá! Celular bonito– exclamou ele sorrindo sem-graça.
- É, ele é....feio – cochichou ela enquanto guardava o celular na bolsa.
O garçom se aproxima dos dois para anotar os pedidos.
- Bom, eu vou querer um capuccino ice com cobertura de chantilly. – pede ele fechando o cardápio.
- Ahmm... e eu vou querer... uma água!
- Olha, você deveria experimentar o capuccino daqui. É delicioso!
- Ah é?... ruim – cochichou consigo mesma.
- O que foi? – perguntou ele.
- Foi o quê?
- Você não disse “Uii”?
- Ah, eu... eu bati meu joelho na mesa... – falou ela sem-graça. Só que a mesa era muito alta para ela conseguir bater o joelho, de tal forma que ela teria de ser mais alta que a Ana Hickmann ou estar praticando sapateado sentada para conseguir tal feito. Mas naquele momento a desculpa colou, pelo menos para o Cleiton. Já o garçom se inclinou para conferir a tamanha distância existente entre os joelhos dela e a mesa.
- Machucou? – perguntou Cleiton.
- Não, não... Bom, mas então eu acho que vou provar esse capuccino pra ver se você tem bom gosto mesmo. – Ela pega o cardápio e enfia na cara do garçom pra mostrar o capuccino. Ele ainda analisava a distância entre os joelhos de Adelaide e a mesa, talvez tentando entender como uma mulher de 1,60m poderia bater os joelhos ali? A tática de Adelaide funcionou porque interrompeu os cálculos mentais que o garçom realizava, antes que ela fosse desmascarada por ele.
- Não vai se arrepender. – garantiu Cleiton.
- Algo mais? – perguntou o garçom.
- Menos. – cochichou ela se ajeitando na cadeira.
- Pra mim é isso! – falou Cleiton.
- Pra mim também – respondeu ela.
- Perfeitamente! – disse o garçom.
- Imperfeitamente. – cochichou ela virando-se para trás e colocando a bolsa no encosto da sua cadeira.
- Eu adoro vir aqui. É um local bem iluminado e alegre.
- Triste. – sussurrou ela, emendando em seguida – É verdade!
Depois do café eles trocaram telefones e decidiram continuar mantendo contato. Três dia depois, Cleiton resolveu fazer uma surpresa para Adelaide e foi até a universidade onde ela estudava. Lá ele a avistou conversando no pátio com uma amiga. Ele foi seguindo em sua direção. Adelaide estava de costas e quando ele foi chegando perto, começou a ouvir uns trechos da conversa entre Adelaide e sua amiga.
- Aiii amiga, então, não sei o que faço. Acho que eu não devia mais encontrar ele. É perigoso! – Adelaide desabafava com a amiga.
- É seguro! – garantiu a amiga.
- Você é prova de que não é, não!
- É, sim! – insistiu Rachel.
- Aii Rachel, não quero que ele perceba. Se ele descobrir, vai me deixar ou também ficará que nem você! Não dá!
- Dá sim!
- Pára, você não está me dando conselho algum.
- Nenhum! Eu sei, mas está na hora de você deixar de se achar anormal. Você é linda, simpática e inteligente. O que um homem pode querer mais? – disse Rachel.
- Menos! – cochichou Adelaide
- Menos o quê? – perguntou Rachel.
- Nada!
- Ah, tudo... entendi. Se ele gostar de você não importa seus defeitos, ele continuará te amando.
- Odiando... – sussurrou Adelaide. – Sei, sei...
- Aiiii – gritou Cleiton.
As duas amigas se assustaram ao perceber que tinha um cara perto delas, logo atrás do vaso de plantas. Adelaide reconheceu Cleiton. Ele não tinha visto que aquela planta tinha espinhos espinhosos que espetaram seus dedos quando ele foi afastar umas folhas para vê-las melhor.
- Cleiton? – perguntou Adelaide.
- Adelaide? – ele fingiu não ter visto ela antes.
- Nossa, o que você faz por aqui?
- Ah... eu...eu estava aqui, ou melhor, estou aqui pra entregar umas coisas que deixaram hoje lá na gráfica... – inventou ele. – Mas que surpresa te encontrar aqui!
- Lá – sussurrou Adelaide. – Mas você estava fazendo o que aí perto desse vaso?
- Ah, eu estava indo embora e como eu quase não venho aqui, estava meio distraído olhando em volta. Daí eu chutei o vaso sem querer. Distraído! – Ele deu uma risadinha meio sem-graça.
- Atencioso... – cochicharam Adelaide e Rachel juntas.
- Oi? – falou Cleiton.
- Tudo bem? – respondeu Rachel.
- Mal – sussurrou Adelaide. – Ah, essa é a Rachel, minha amiga.
- Oi, tudo bem! Eu sou o Cleiton!
- Você já está indo embora? – perguntou Adelaide.
- É... como eu disse, só vim aqui entregar umas coisas. – respondeu ele.
- Ah, minha aula já terminou. Você não quer ir ao Jack Nite com a gente?
- Poxa, claro que sim!
- Escuro que não – sussurrou Adelaide.
- Não o quê? – perguntou ele.
- Não o que o quê?? – perguntou Adelaide.
- Você... Ah, não estava falando comigo! – disse Cleiton.
- Você é engraçado, às vezes fala umas coisas sem-noção. – disse Adelaide rindo.
- É mesmo? – disse ele coçando a cabeça.
Depois de duas semanas saindo juntos, eles ainda se viam. Numa quinta, Adelaide estava saindo da universidade com Rachel.
- Viu amiga, você está feliz com ele, não está?
- Sim!
- Não! – Rachel disse baixinho.
- Ele é maravilhoso, não tenho do que reclamar!
- Eu falei pra você que essa sua mania não era assim contagiosa! Eu só peguei ela porque convivo com você desde os 6 anos de idade e porque eu provavelmente tenho pré-disposição para pegar manias dos outros.
Nisso Cleiton chega para buscar Adelaide.
- Oi, oi Rachel! Tudo bem, bem? – Falou Cleiton.
- Sim!
- Não. – falou Adelaide baixinho.
- Vamos meu amor, or?
- Vamos!
- Até mais Rachel, a gente se vê no sábado, ado! – exclamou Cleiton.
- Adelaide! Posso falar com você rapidinho? – perguntou Rachel meio atordoada.
- Demoradinho... – Adelaide cochichou pra si.
- Tudo bem, eu vou esperar no carro, arro! – disse Cleiton e se afastou.
- O que aconteceu com ele?
- É o amor!
- Como assim?
- Essa semana eu contei pra ele toda a verdade. Pensei que ele fosse terminar comigo. Mas ele me deu a maior força e resolveu inventar uma própria mania pra ele. Assim nós dois teremos cada um a sua mania e eu não preciso ficar mais constrangida.
- Ai Adelaide, que lindo! – lágrimas saíam dos olhos de Rachel.
- Que horroroso! – cochichou Adelaide.
- Nunca ouvi uma história tão romântica como essa em toda a minha vida. Parece mentira! – Rachel sorria emocionada.
- Verdade... – sussurrou Adelaide.
E aí Rachel teve uma surpresa.
- Viu amiga, você está feliz com ele, não está?
- Sim!
- Não! – Rachel disse baixinho.
- Ele é maravilhoso, não tenho do que reclamar!
- Eu falei pra você que essa sua mania não era assim contagiosa! Eu só peguei ela porque convivo com você desde os 6 anos de idade e porque eu provavelmente tenho pré-disposição para pegar manias dos outros.
Nisso Cleiton chega para buscar Adelaide.
- Oi, oi Rachel! Tudo bem, bem? – Falou Cleiton.
- Sim!
- Não. – falou Adelaide baixinho.
- Vamos meu amor, or?
- Vamos!
- Até mais Rachel, a gente se vê no sábado, ado! – exclamou Cleiton.
- Adelaide! Posso falar com você rapidinho? – perguntou Rachel meio atordoada.
- Demoradinho... – Adelaide cochichou pra si.
- Tudo bem, eu vou esperar no carro, arro! – disse Cleiton e se afastou.
- O que aconteceu com ele?
- É o amor!
- Como assim?
- Essa semana eu contei pra ele toda a verdade. Pensei que ele fosse terminar comigo. Mas ele me deu a maior força e resolveu inventar uma própria mania pra ele. Assim nós dois teremos cada um a sua mania e eu não preciso ficar mais constrangida.
- Ai Adelaide, que lindo! – lágrimas saíam dos olhos de Rachel.
- Que horroroso! – cochichou Adelaide.
- Nunca ouvi uma história tão romântica como essa em toda a minha vida. Parece mentira! – Rachel sorria emocionada.
- Verdade... – sussurrou Adelaide.
E aí Rachel teve uma surpresa.
- HAHAHAHAHA... SUA IMBECIL... HOJE É DIA PRIMEIRO DE ABRIIIIIIIIL – Gritaram Adelaide e Cleiton juntos. Ele não tinha ido pro carro coisa nenhuma, estava o tempo todo atrás daquele vaso de plantas com espinhos espinhosos! Era tudo mentira, não tinha história de amor melosa coisa nenhuma!
Cleiton e Adelaide só se encontraram ocasionalmente para algumas noitadas, não viveram felizes para sempre, Cleiton achou a mania de Adelaide coisa do capeta e só aceitou continuar saindo com ela porque era gostosa e desde que ela ficasse calada, e Rachel ficou super magoada com Adelaide, na verdade xingou ela de coisas inomeáveis. Ficaram um tempo sem se falar, mas como boas amigas, conseguiram se entender, depois que Rachel dormiu com Cleiton e Adelaide descobriu. Estavam todos quites!
FIM!!!
Esse é um belo exemplo de como se acaba uma história real. Ou você realmente acredita em castelo encantado, fada madrinha e príncipe montado em cavalo branco alado??? Não, meus queridos. A vida só começa porque duas pessoas fo*****, muitas vezes só tem graça se as pessoas puderem fo*** umas com as outras e só termina porque alguém se fo***.


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