segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Conto de fada(lidade) - Mania Estranha






Adelaide é uma mulher que tem uma mania estranha. Ela tem que falar o antônimo de algumas palavras que as outras pessoas utilizam para terminar uma frase. O pior é que ela tem que falar, nem que seja sussurrando pra si mesma, não vale em pensamento.

- Bom dia, eu preciso de umas cópias!
- Claro!
- Escuro! – ela falou sussurrando para si mesma.
- Desculpe, o que você disse?
- Éé... eu... eeessscuto! – gaguejou ela.
- Escuta o quê? – perguntou ele.
- Escutoooo... uma música! Você não ouve?
- Ah, deve ser o Rick, ele trabalha sempre ouvindo música! Mas você tem ouvidos sensíveis, hein?
- É, pois é! – falou ela meio sem-graça.
- Ok! Quantas cópias?
- 8
- Pois,
não!
- Pois, sim! – sussurrou ela novamente.
- Como?
- Ããhn?
- Você falou: pois “ssssh”? – perguntou ele.
- Ahh... não, é que eu...eu ia pedir... ssscinco.... cinco cópias, mas lembrei que tem que ser oito mesmo! – ela já estava constrangida e começava a aparecer um certo rubor em suas bochechas.
- Ah ta, eu... vou... fazer as cópias! – ele saiu meio confuso e foi fazer as cópias.

Alguns segundos depois:

- Aqui estão!
- Quanto é? – perguntou ela tirando a carteira da bolsa.
- R$0,75!
- Aqui!
-
Certinho!
- Erradinho! – sussurrou ela.
- Não, está
certo!
- Ah, sim... – falou ela – ...errado – sussurrou logo em seguida e virou-se para sair.
- Até mais!
- Até... menos! – sussurrou mais uma vez.

No outro dia a mulher estava no mercado fazendo compras, quando o homem das cópias esbarrou nela:

- Opa! Desculpa! Foi sem querer!
- Ah, tudo bem!
- Escuta, você não foi ontem tirar cópias na papelaria em que trabalho?
- Ah, acho que fui, sim!
-
Claro!
- Escuro – sussurrou ela olhando para o chão.
- Você está bem?
- Sim... – respondeu à ele - ...mal – sussurrou para si mesma ainda olhando para o chão.
- Tem certeza? Você parece meio
mal.
- Bem! Estou bem.
- Certo! Você não gostaria de tomar um cafezinho? Ali na padaria tem um ótimo café!
- Seria uma boa idéia! – disse ela.
- Ótimo! – sorriu ele.
- Péssimo! – ela disse baixinho.
- Como?
- O quê?
- Você disse “péssimo”?
- Ótimo! Eu disse ótimo! – ela falou rapidamente.
- OK! Então, vamos?
- Sim!

Encontraram uma mesinha para dois vaga, bem ao lado do balcão.

- O que você faz da vida?
- Eu sou estudante – respondeu ela.
- Estuda o quê?
- Psicologia!
- Que legal! – exclamou ele.
- É... chato – sussurrou ela.
- Como? Chá?
- Chá o quê?- Você não disse “chá”? Você quer chá? – indagou ele.
- Não! Deve ter sido um... um suspiro, sabe? “Aahhh” – ela tentou contornar mostrando como poderia ter sido o suspiro.
- Ahm... – Ele acenou com um sorriso.
- Qual o seu nome?
- Cleiton! E o seu?
- Adelaide
- Seu nome é bonito!
- Obrigada!... feio – sussurrou ela.
- Ahn? Veio? – ele não tinha entendido.
- Veio? O quê?
- Você disse “veio”, não disse?
- Ah, eu disse...
- O que que veio? – perguntou ele.
- Ah... uma... mensagem de celular. É, vibrou, sabe? Isso aqui! – ela pegou o celular que estava na bolsa e mostrou pra ele, quase enfiando na cara do coitado, como se ele fosse um caipira do mato que nunca tinha visto um celular antes. Ela se sentiu completamente idiota por ter feito isso.
- Ahm, tá! Celular bonito– exclamou ele sorrindo sem-graça.
- É, ele é....feio – cochichou ela enquanto guardava o celular na bolsa.

O garçom se aproxima dos dois para anotar os pedidos.

- Bom, eu vou querer um capuccino ice com cobertura de chantilly. – pede ele fechando o cardápio.
- Ahmm... e eu vou querer... uma água!
- Olha, você deveria experimentar o capuccino daqui. É delicioso!
- Ah é?... ruim – cochichou consigo mesma.
- O que foi? – perguntou ele.
- Foi o quê?
- Você não disse “Uii”?
- Ah, eu... eu bati meu joelho na mesa... – falou ela sem-graça. Só que a mesa era muito alta para ela conseguir bater o joelho, de tal forma que ela teria de ser mais alta que a Ana Hickmann ou estar praticando sapateado sentada para conseguir tal feito. Mas naquele momento a desculpa colou, pelo menos para o Cleiton. Já o garçom se inclinou para conferir a tamanha distância existente entre os joelhos dela e a mesa.
- Machucou? – perguntou Cleiton.
- Não, não... Bom, mas então eu acho que vou provar esse capuccino pra ver se você tem bom gosto mesmo. – Ela pega o cardápio e enfia na cara do garçom pra mostrar o capuccino. Ele ainda analisava a distância entre os joelhos de Adelaide e a mesa, talvez tentando entender como uma mulher de 1,60m poderia bater os joelhos ali? A tática de Adelaide funcionou porque interrompeu os cálculos mentais que o garçom realizava, antes que ela fosse desmascarada por ele.
- Não vai se arrepender. – garantiu Cleiton.
- Algo mais? – perguntou o garçom.
- Menos. – cochichou ela se ajeitando na cadeira.
- Pra mim é isso! – falou Cleiton.
- Pra mim também – respondeu ela.
- Perfeitamente! – disse o garçom.
- Imperfeitamente. – cochichou ela virando-se para trás e colocando a bolsa no encosto da sua cadeira.
- Eu adoro vir aqui. É um local bem iluminado e alegre.
- Triste. – sussurrou ela, emendando em seguida – É verdade!

Depois do café eles trocaram telefones e decidiram continuar mantendo contato. Três dia depois, Cleiton resolveu fazer uma surpresa para Adelaide e foi até a universidade onde ela estudava. Lá ele a avistou conversando no pátio com uma amiga. Ele foi seguindo em sua direção. Adelaide estava de costas e quando ele foi chegando perto, começou a ouvir uns trechos da conversa entre Adelaide e sua amiga.

- Aiii amiga, então, não sei o que faço. Acho que eu não devia mais encontrar ele. É perigoso! – Adelaide desabafava com a amiga.
- É seguro! – garantiu a amiga.
- Você é prova de que não é, não!
- É, sim! – insistiu Rachel.
- Aii Rachel, não quero que ele perceba. Se ele descobrir, vai me deixar ou também ficará que nem você! Não dá!
- Dá sim!
- Pára, você não está me dando conselho algum.
- Nenhum! Eu sei, mas está na hora de você deixar de se achar anormal. Você é linda, simpática e inteligente. O que um homem pode querer mais? – disse Rachel.
- Menos! – cochichou Adelaide
- Menos o quê? – perguntou Rachel.
- Nada!
- Ah, tudo... entendi. Se ele gostar de você não importa seus defeitos, ele continuará te amando.
- Odiando... – sussurrou Adelaide. – Sei, sei...
- Aiiii – gritou Cleiton.

As duas amigas se assustaram ao perceber que tinha um cara perto delas, logo atrás do vaso de plantas. Adelaide reconheceu Cleiton. Ele não tinha visto que aquela planta tinha espinhos espinhosos que espetaram seus dedos quando ele foi afastar umas folhas para vê-las melhor.

- Cleiton? – perguntou Adelaide.
- Adelaide? – ele fingiu não ter visto ela antes.
- Nossa, o que você faz por aqui?
- Ah... eu...eu estava aqui, ou melhor, estou aqui pra entregar umas coisas que deixaram hoje lá na gráfica... – inventou ele. – Mas que surpresa te encontrar aqui!
- – sussurrou Adelaide. – Mas você estava fazendo o que aí perto desse vaso?
- Ah, eu estava indo embora e como eu quase não venho aqui, estava meio distraído olhando em volta. Daí eu chutei o vaso sem querer. Distraído! – Ele deu uma risadinha meio sem-graça.
- Atencioso... – cochicharam Adelaide e Rachel juntas.
- Oi? – falou Cleiton.
- Tudo bem? – respondeu Rachel.
- Mal – sussurrou Adelaide. – Ah, essa é a Rachel, minha amiga.
- Oi, tudo bem! Eu sou o Cleiton!
- Você já está indo embora? – perguntou Adelaide.
- É... como eu disse, só vim aqui entregar umas coisas. – respondeu ele.
- Ah, minha aula já terminou. Você não quer ir ao Jack Nite com a gente?
- Poxa, claro que sim!
- Escuro que não – sussurrou Adelaide.
- Não o quê? – perguntou ele.
- Não o que o quê?? – perguntou Adelaide.
- Você... Ah, não estava falando comigo! – disse Cleiton.
- Você é engraçado, às vezes fala umas coisas sem-noção. – disse Adelaide rindo.
- É mesmo? – disse ele coçando a cabeça.


Depois de duas semanas saindo juntos, eles ainda se viam. Numa quinta, Adelaide estava saindo da universidade com Rachel.

- Viu amiga, você está feliz com ele, não está?
-
Sim!
- Não! – Rachel disse baixinho.
- Ele é maravilhoso, não tenho do que reclamar!
- Eu falei pra você que essa sua mania não era assim contagiosa! Eu só peguei ela porque convivo com você desde os 6 anos de idade e porque eu provavelmente tenho pré-disposição para pegar manias dos outros.

Nisso Cleiton chega para buscar Adelaide.

- Oi, oi Rachel! Tudo bem, bem? – Falou Cleiton.
-
Sim!
- Não. – falou Adelaide baixinho.
- Vamos meu amor, or?
- Vamos!
- Até mais Rachel, a gente se vê no sábado, ado! – exclamou Cleiton.
- Adelaide! Posso falar com você rapidinho? – perguntou Rachel meio atordoada.
- Demoradinho... – Adelaide cochichou pra si.
- Tudo bem, eu vou esperar no carro, arro! – disse Cleiton e se afastou.
- O que aconteceu com ele?
- É o amor!
- Como assim?
- Essa semana eu contei pra ele toda a verdade. Pensei que ele fosse terminar comigo. Mas ele me deu a maior força e resolveu inventar uma própria mania pra ele. Assim nós dois teremos cada um a sua mania e eu não preciso ficar mais constrangida.
- Ai Adelaide, que lindo! – lágrimas saíam dos olhos de Rachel.
- Que horroroso! – cochichou Adelaide.
- Nunca ouvi uma história tão romântica como essa em toda a minha vida. Parece mentira! – Rachel sorria emocionada.
- Verdade... – sussurrou Adelaide.

E aí Rachel teve uma surpresa.




- HAHAHAHAHA... SUA IMBECIL... HOJE É DIA PRIMEIRO DE ABRIIIIIIIIL – Gritaram Adelaide e Cleiton juntos. Ele não tinha ido pro carro coisa nenhuma, estava o tempo todo atrás daquele vaso de plantas com espinhos espinhosos! Era tudo mentira, não tinha história de amor melosa coisa nenhuma!

Cleiton e Adelaide só se encontraram ocasionalmente para algumas noitadas, não viveram felizes para sempre, Cleiton achou a mania de Adelaide coisa do capeta e só aceitou continuar saindo com ela porque era gostosa e desde que ela ficasse calada, e Rachel ficou super magoada com Adelaide, na verdade xingou ela de coisas inomeáveis. Ficaram um tempo sem se falar, mas como boas amigas, conseguiram se entender, depois que Rachel dormiu com Cleiton e Adelaide descobriu. Estavam todos quites!



FIM!!!



Esse é um belo exemplo de como se acaba uma história real. Ou você realmente acredita em castelo encantado, fada madrinha e príncipe montado em cavalo branco alado??? Não, meus queridos. A vida só começa porque duas pessoas fo*****, muitas vezes só tem graça se as pessoas puderem fo*** umas com as outras e só termina porque alguém se fo***.

sábado, 20 de setembro de 2008

Melão ou Melancia ¿?


Em casa:

- É óbvio que a melancia tem muito mais! - Diz a mulher.
- Nana ni nanão! O melão vence, de longe. - Responde o homem.
- Larga mão de ser bobo, homem!
- Ah, mulher, você é que não tem noção!
- Há há há. Faz-me rir!
- Então vamos resolver isso já!
- Ah, é? Como você pretende resolver isso?
- Vamos comprar uma melancia e um melão! - Decide o homem.
- Ok!
- Então, vamos!

Na mercearia.

- Ah, tá bom meu querido! Você não vai levar este melãozão! - Reclama a mulher.
- E por que não?
- Porque é claro que assim vai ter muito mais que a melancia, espertalhão!
- Tá bom, então vou pegar este aqui, tá na média e não vem reclamar, não!
- Tá, esse é mais normal. E eu vou levar esta melancia. - A mulher exibe a melancia escolhida.
- Ha ha ha. Você vai cair do cavalo! Eu tenho certeza que o melão tem mais!
- Só pra sua cabecinha de melão mesmo!
- Vai querer comprar mais alguma coisa?
- Cebolas! Preciso pra fazer o bife acebolado de amanhã!
- Tá, querida! Então vai lá pegar logo!
- Vai você! - Retruca a mulher.
- Eu? Você é quem quer as cebolas e não eu!
- Mas quem quer o bife acebolado é você!
- Não quero mais!
- Ótimo, vai comer salsichas fervidas seis vezes, porque você comprou a marca errada, aquela tem o dobro de sódio e você sabe que tem que maneirar.
- Tá, eu confundi, é tudo igual! Mas não precisa ferver seis vezes, vai ficar com gosto de chulé aguado.
- Precisa, sim! É salgado demais pra você!
- Humpf! Quantas cebolas?
- Cinco!
- Cinco??? Você vai fazer bife acebolado ou cebola abifezada?
- Engraçadinho. Tem que ter duas cebolas pro bife, uma pra salada e duas de reserva.
- Tá bom, o que mais? - Pergunta o homem.
- Hmmm, acho que é só isso. Vamos logo acabar com a dúvida do melão ou melancia!
- Tá, vou indo pro caixa.

De volta pra casa:

- Vamos primeiro cortar o melão, depois a melancia! - Diz a mulher.
- Não, eu corto o melão e você a sua melancia. Cada um com sua escolha!
- Nana ni nanão, senhor! Vamos fazer isso juntos! Assim não haverá como trapacear!
- Tá dizendo que eu costumo trapacear, é? - Pergunta o homem.
- Não sei, você costuma?
- Eu perguntei primeiro, não vale responder com outra pergunta.
- Quem disse? - Desafia a mulher.
- As regras são claras, minha querida.
- Você acabou de inventá-las.
- Claro que não, mulher! São regras de um bom relacionamento. Você bem sabe que quando se faz uma pergunta, deve-se responder primeiro para depois ter o direito de fazer a sua. Cada um na sua vez! Você não ia gostar se você me perguntasse "Você já me traiu?" e eu respondesse "Você está dizendo que eu te traí?" e daí voc...
- Tá, tá, tá. Já entendi! Mas de qualquer forma, vamos primeiro cortar o melão e depois a melancia!
- Não! Primeiro você vai responder a pergunta que eu fiz!
- Que pergunta?
- Não se faça de sonsa!
- Se você costuma mentir?
- É! - Confirma o homem.
- Não sei. Tomara que não!
- Então você não tem certeza?
- Não sei.
- Não confia em mim!
- Pára com isso. Chega! Vamos por parte. Primeiro a gente resolve essa parada da melancia ou melão e depois a gente resolve a da mentira! Tá bom, querido?
- Hmmm, tá bom. Só porque eu também estou curioso e ancioso para esfregar na sua cara que eu tô certo!

Depois de cortar o melão:

- Não falei? Dá só uma olhada nisso! - Diz o homem animado.
- Querido, acho melhor cortar a melancia primeiro, antes de ficar se gabando.
- Tudo bem!

Depois de cortar a melancia:

- E agora, o que me diz, hein?
- Empate! - Anuncia o homem.
- Empate uma ova! - Discorda a mulher.
- Ok, querida, o que você quer fazer? Contar uma por uma?
- Mas é óbvio!
- Cê tá de brincadeira comigo, né? - Diz o homem indignado.
- Você aceitou resolver essa dúvida, agora vamos até o final!
- Tá, então eu dou a vitória pra você!
- Nada disso! Eu quero ganhar por estar certa e não porque você está com preguiça de contar.
- Ai meu Deus! Mulheres!
- Ai meu Deus! Homens! Esqueceu que a idéia de comprar uma melancia e um melão foi sua?
- Tá, mas faz parte do jogo reconhecer que o outro venceu! Isso se chama humildade! Você venceu!
- Isso se chama preguiça!
- Fffffff (respirando fundo)... O que eu não faço por você? Vamos contar!
- Vamos contar juntos. Primeiro o melão e depois a melancia!
- Sim, senhora! Como você quiser!

Depois de quarenta minutos:

- 163 sementes no melão e 189 sementes na melancia! EEeEeEEe, venci!!!! - Comemora a mulher.
- Viu, eu não falei que você tinha vencido?
- Ah querido, vai dizer que você não ficou chateado por eu ter ganho?
- Claro que não!
- Ficou sim!
- Fiquei não!
- Ficou sim!
- Não! - Afirma o homem.
- Sim!
- Não!
- Cem vezes sim! - A mulher provoca.
- Mil vezes não!
- Dez mil vezes sim!
- Cem bilhões de vezes não! - O homem não cede.
- Trocentos trilhões de vezes sim! - A mulher também persiste.
- Infinitamente não! Ahá, agora eu venci! - Diz o homem empolgado.
- Tá, então agora estamos quites!
- É! - Concorda o homem.
- E agora?
- E agora o quê?
- O que vamos fazer, querido?
- Que tal descobrir qual queijo tem mais buraco? Eu acho que é o suíço emmental!
- Ah, claro que não! É o queijo prato!
- Não, é o emmental! - Teima o homem.
- Esse tem buracos grandes. O prato tem buracos menores, por isso tem mais!
- Querida, desculpe, mas dessa vez eu tenho certeza!
- Ok, então vamos na mercearia?

Culpa das formigas...



Só uma anta mesmo para gostar de formigas!
O quê??? Não é a anta?
Aaahh, é o tamanduá que come formigas!
Anta, tamanduá, têm quatro patas, dois olhos, rabo, focinho, pêlos, vive no mato, então é tudo a mesma coisa!
Ignorante???
Eeeeeu??
Só porque não sou especializada em zoologia?

Cínica???
Eeeeeu??
Essa é a minha opinião: só uma anta mesmo para gostar de formigas. Mas, o que que há? Não se pode mais ter opinião própria? Cadê a tal liberdade de expressão? Democracia talvez?
E tem mais, seu-sabe-tudo-sobre-zoologia, o pior tipo de julgamento é o precipitado!
E fique sabendo que a minha primeira frase foi usada apenas para demonstrar minha intolerância a esse tipinho de inseto, e a "anta", pode ter duplo sentido (ou mais, já que são várias as opções de xingamentos que se encaixam). Ali, coloco com ambiguidade, com o significado de "imbecil" e de animal mesmo.
E não me interessa se o animal "anta" come ou não formiga, pra mim, aqui no MEU texto, ele come sim!
Agora posso continuar meu desabafo? Obrigada!
Como comecei dizendo, só mesmo uma anta para gostar de formi... Opa, peraí! Uma pausa! Depois dessa interrupção no processamento afobado do meu raciocínio sobre esse tema controverso, talvez os zoologistas também devessem ser incluídos na lista junto com a "anta", já que eles devem gostar de tudo que é bicho.
Gostar de tudo que é bicho? bicho? bicho vive no mato, fauna e flora, ONGs ambientalistas, Greenpeace, bicho? bicha?, GLBT! Ok, acho justo incluir toda essa galera na lista de defesa das formigas.
Continuando, só mesmo uma anta, os zoologistas, ambientalistas, Greenpeace, os associados ao GLBT e os malucos simpatizantes, para gostarem de formigas!
O quê???
Agora não gostou dos "malucos simpatizantes"?
Tá bom, tira o "malucos" e deixa "simpatizantes" que é mais... simpático??
Será que agora eu posso completar A PORRA DO MEU RACIOCÍNIO???
HEIN?? HEIN??
Ótimo!
Mas o quê???
Acabou o tempo?
Tempo, que tempo, mané?
Isso aqui é um desabafo por escrito e não um discurso de Miss.
O quê???
Acabaram-se as linhas?
Ah, vai se fu**...

Tá vendo, é tudo culpa das formigas!

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Brou e Véi



Na sala de uma casa:

- Pô Brou, a gente devia dá uns rolê aí pelas bandas!
- Certeza, Véi!
- Que cê acha da gente mandar vê na rua de trás?
- Certeeeeza, Véi!
- Pô, então vamo lá, Brou!
- Pô, certeza, Véi!
- Pega a porra do 3.8!
- Certeza, Véi!
- E vamo mete chumbo grosso naquilo tudo.
- Ééé, certeeeeza, Véi!!
- Peraê que vô lá pegar aquele meu casaco pretão, tá ligado? Dá mais moral, Brou!
- Ôô, certeza, Véi!
- Porra, meu casaco não tá aqui, caralho! Merda, vô tê que ir assim mesmo, mas que...

Uma mulher aparece na sala:

- Mas que o quê, hein, seu Dirceu?
- Pô mãe! Não me chama desse nome. Eu sou o Véi!
- Que Véi que nada! Isso lá é nome de gente? E você pare de ficar usando palavrões o tempo todo. Não foi isso que eu te ensinei.
- Ô Dona Clotilde, eu tenho que sair. - Reclama o filho.
- Ôôô saca só, Véi! Tua mãe tem o nome da bruxa do 71!! Que iraaaado!
- Cala a boca, Brou!!!
- Como é que é? Bruxa? - A mãe está indignada.
- Ah mãe, cê liga pro que o Brou fala, é?
- Pô, Véi! Mas é, cê não tá ligado no Chaves?
- Chaves?? - A mãe põe as mãos na cintura
- Mas tu é um mané trouxa! Caralho!
- Sô não, Véi! Cê que não lembra!
- Ah, então é por isso que você me chama de Dona Clotilde, é? Eu sempre quis saber a origem desse "apelido".
- Ah, nada a vê! Ó, tô vazando.
- "Tá vazando" pro seu quarto! AGORA!
- Pô, mãe! Eu tenho que ir!
- Olha aqui, enquanto você não aprender a se comportar melhor, você não vai mais vazar pra lugar algum. Tá entendendo?
- Por quê, pô?
- Porque eu te dei liberdade demais, e olha no que deu!
- Deu que eu sou o rei da rua de trás, sacou?
- Não é mais! - Disse a mãe irritada
- Sô, sim! Ninguém atira melhor que eu!
- Atira o quê?
- Ôô, certeza, Véi! O Melhor! Mata todas!
- Aii meu Deus! Vocês conseguiram armas???
- Ôô, certeza Dona Clotilde. Senão não tem como mandar vê na rua de trás!
- Aiii, tarde demais! Meu filho é um marginal-assaltante-ladrão-assassino!
- Ô mãe! Que pira é essa, meu? Pirô geral, é?
- Me dá a arma, já! Eu tô mandando!
- Por que você qué?
- Dirceu, AGORA!!!

- Porra, tô falando que cê pirô!
- Se você não me der essa droga de arma agora, eu vou ligar pro seu pai.
- Tá, tá. Que merda!
- Olha o palavrão, menino! - A mãe estava ficando cada vez mais histérica.
- Vai, brou! Dá logo o 3.8 pra ela, vai!
- 3.8??? Jesus Amado!!
- Tó, Dona Clotilde - Brou estica um pote oval de plástico, escrito 3.8
- O que que eu fiz de errado? Você tem casa, tem computador, freqüenta uma escola particular, seu pai é dono de uma empresa que você herdará... E você se mete numa dessas?

A mãe dá um suspiro e abre o pote. Dentro há várias bolinhas de borrachas coloridas. Imediatamente sua feição muda. E ela exclama horrorizada:

- Mas o que que é isso, meu Deus do céu?? Pelo-amor-de-Deu, isso não é munição, né?
- Pô, claro que é, né! Como é que alguém acerta o alvo sem munição, caralho?
- Ééé, certeza! O Véi derruba todas!
- Ai, tô passando mal! - A mãe senta-se no sofá.
- Pô, essas paradas de velhice são foda! Qué que eu pegue água?
- Quero que você me dê a arma! Eu pedi a arma e não a munição!
- Como assim, meu? Minha arma é minha munição, tá ligada?
- ÉÉéé, certeza, Véi! E essas são das boas, derrubam qualquer latinha!
- Latinha? É assim que vocês chamam as pessoas? Derrubam elas feito latinhas? Aiii... - A mãe coloca as mãos na cabeça para tentar controlar a vertigem.
- Caralho! Pô, mãe, vô chama uma ambulância, cê tá delirando demais! Que papo é esse? Tá me assustando, porra! - "Véi" começa a ficar nervoso, preocupado com o estado da mãe.
- Quantos vo...você...você já...matou?
- Pô, mãe! Cê tá aí mó grogue e continua com esse papo de querer saber do nosso jogo?
- QUANTOS??? - A mãe grita mais alto e o nervosismo toma conta dela.
- Ôô, Véi! Sua mãe tá nervosa, fala logo pra ela quantas rodadas cê já ganhou!
- Tá, tá. 28 rodadas - Responde "Véi"

A mãe sente-se sufocada. Véi continua:

- Hoje ia ser a 29ª, e se eu derrubasse mais latinhas que o Evaldão, eu iria tá um passo de ser coroado o rei, de certeza! Mas aí cê não deixou eu ir jogar com a galera. Vô tê que dexa proutro dia.

A mãe tenta se controlar e apenas ouve o que os dois falam.

- Éé, véi. Uma pena. Cê tava quase lá... Caralho! Lembrei! A gente nem foi catá mais latinha pelo bairro. Era a nossa vez essa semana, véi!
- Puta merda! É verdade! Mas acho que eu tenho umas por aqui, Brou. Meu pai deu um festão nesse findi e ele sempre separa umas latinhas pruma galerinha que vem pegar aí, tá ligado?
- Latinhas? - A mãe levanta a cabeça e olha pro filho. - Latinhas de refri?
- De refri, cerva, qualquer coisa.
- É por isso que você pega umas latinhas do lixo, de vez em quando?
- É!
- E essas latinhas são as mesma que você "derruba"?
- Qualé, mãe?
- "Latinhas" não são "pessoas"...
- Que pessoas, pô?
- Vocês dois brincam de derrubar latinhas com essas bolinhas de borrachas, na rua de trás?
- Não é brincadeira! É jogo duro pra caralho! Os manos da rua de trás também são bons pra cacete!
- Então você nunca matou ninguém?
- Pô, que papo é esse?
- Então, tudo não passa de um joguinho de derrubar latinhas...
- Pô, mãe! Joguinho, não! É jogão. Coisa séria!
- Éé, certeza, Véi! Jogão duro! Pô, a Dona Clotilde podia ir lá vê a gente mandando vê, né?
- Cê quer parar de me chamar de Dona Clotilde? Não é Clotilde, eu sou Florinda!
- Nãããão! Dona Florinda é a mãe do Quico. A senhora tá se confundindo, Dona Clotilde!
- Que Quico? Eu tô dizendo que é coisa do Dirceu me chamar de Dona Clotilde. O meu nome é Florinda!
- Ôô Véi! Tua mãe tem o nome da mãe do Quico!! Que iraaaado!